Tradução de Artigo: Propilenoglicol, o alérgeno de 2018

07/04/2018 00:01

PROPILENOGLICOL


              Propilenoglicol, (PG) um emoliente e emulsificante achado em cosméticos, medicamentos, e alimentos, recebeu o título de Alérgeno do ano para 2018 pela Sociedade Americana de Dermatite de Contato. Dermatite de Contato alérgica e irritativa e reações cutâneas disseminadas ao PG, que tem se tornado um ingrediente cada vez mais comum, tem sido documentado. Propilenoglicol é tão controverso quanto onipresente porque ele atua tanto como um fraco sensibilizante quanto como um irritante, confundindo os resultados dos testes de contato positivos. Esse estudo serve para aumentar a consciência sobre a sensibilização ao PG e testes apropriados e a avaliação dos testes de contato ao PG


           


 


Propilenoglicol (PG) é um ingrediente comum em muitos cosméticos, preparações cutâneas tópicas, medicações, e alimentos. O potencial do propilenoglicol como alérgeno de contato tem sido longamente reconhecido, e o primeiro estudo de teste de contato a PG foi realizado nos anos 50. Entretanto, a significância do PG como um alérgeno de contato tem sido ambíguo. Testes de contato a PG são frequentemente fracos e pode ser difícil diferenciar de reações irritativas. Porém, PG tem também sido demostrado causar dermatite de contato sistêmica. Com o aumento da prevalência de PG em cosméticos e medicamentos, especialmente em corticoides tópicos, é de especial importância que especialistas deveriam estar cientes de como a sensibilidade ao PG se manifesta e como identificar fontes não esperadas.


Epidemiologia e Quadro Clínico


              Estima-se a prevalência de alergia a PG variando de 0,8% (PG a 10% em solução aquosa) a 3,5% (PG a 30% em solução aquosa). Dados do Grupo Norte Americano de Dermatite de Contato de 1996 a 2006 mostraram que o local mais comum para dermatite de contato a PG foi a face (25,9%), seguido por um padrão generalizado ou esparso (23,7%). Produtos de cuidado pessoal, tais como cremes, loções e cosméticos foram associados com reações em 12,8% desses pacientes e foram a fonte mais comum de PG, representando 53,8% das fontes identificadas de PG. Isso foi seguido pelos corticoides tópicos em 18,3%. Poucas reações (4,2%) foram consideradas ocupacionais, relegando o PG como uma causa infrequente de dermatite ocupacional.


            Ao longo do tempo tem havido um aumento relatado no uso de PG em produtos de cuidados pessoais nos EUA. Numa avaliação de segurança em 1994, uma revisão de Ingredientes de cosméticos registrou o uso de PG em 5676 produtos listados no Registro Voluntário de Cosméticos; na revisão de ingredientes de cosméticos atualizada em 2012, esse Registro Voluntário de Cosméticos relatou 9094 produtos contendo PG. Esses dados são similares aos dados de 15 de dezembro de 2016 do Programa de Manejo de Alergia de Contato da Sociedade Americana de Dermatite de Contato que mostrou PG presente em 1301 (37,8%) de 4674 produtos. Propilenoglicol é achado na maioria das preparações de gel tópico. Historicamente, ele foi incluído no teste padrão americano em 1992 na solução aquosa a 10%. Entretanto, isso foi aumentado para 30% em solução aquosa em 1996.


Alimentos e Medicações


              Propilenoglicol é também achado em muitos alimentos. Ele pode ser achado em muitos alimentos embalados (café pré-embalado, cremes, bebidas diversas, biscoitos, sobremesas, lanches, refeições preparadas, frutos do mar e carne marinadas (industrializadas) incluindo presunto e peru pré-cozidos, sopas e caldos em pó, e a maioria dos fast foods). Ele também pode ser achado em alguns pães (baguetes, bisnagas), feijão enlatado, bacon e laticínios (cream cheese, iogurte, leites fermentados, chantilly), muitos condimentos, e ocasionalmente em vegetais congelados. Propilenoglicol pode ser achado em muitos flavorizantes artificiais e corantes artificiais. Em relação a medicações, PG é frequentemente achado em comprimidos revestidos, cápsulas e pastilhas. Comprimidos não revestidos são mais provavelmente livres de PG.


Co-reações


            Os dados americanos mostraram bálsamo do Perú (24,8%), fragrância mix (17%) e formaldeído (16,9%) como sendo os testes mais concomitantemente positivos ao PG. Propilenoglicol também reage concomitantemente com substâncias associadas com medicamentos tópicos, tais como bacitracina (14,1%), sulfato de neomicina (13,6%) e tixocortol (10%). É importante notar que esses co-reagentes não são reações cruzadas e são provavelmente devido a co-sensibilização de cosméticos e medicações tópicas.


Controvérsia


              Propilenoglicol é uma das mais controversas substâncias no teste de contato padrão, com algumas literaturas sugerindo que as fracas reações a PG são quase inteiramente irritantes e outros reivindicando relativamente alta significância a todos os testes ao PG. Essa controvérsia é proveniente do fato que teste de contato para PG é comumente confundido pelo seu potencial para irritação e frequentemente fracas reações de hipersensibilidade. Isso tem levado a várias concentrações de PG para testes de contato. O grupo americano inicialmente testou PG em solução aquosa a 10%. Em 1996, isso foi alterado para 30% em solução aquosa. Em janeiro de 2013, o grupo americano adicionou PG a 100% para sua bateria padrão. Baseado nos resultados subsequentes e na opinião dos experts, o grupo norte americano recomendou que PG a 30% em solução aquosa seria abandonado como agente de screening uma vez que o PG a 100% tinha um baixo índice de irritação, mas melhorava significativamente a eficácia de discernimento do teste padrão!!!!!!!!


            De 1992 a 2002 a rede de informação dos departamentos de dermatologia usava solução aquosa a 20%. Tem sido sugerido que concentrações mais fortes seriam usadas em pacientes que tem teste negativo, mas tem alta suspeita de alergia a PG. No entanto, independentemente das reações serem irritantes ou alérgicas, quase todas as reações são clinicamente relevantes para os pacientes afetados. Ou seja, uma vez que as concentrações de PG em produtos tópicos são comumente menores de 30%, uma reação no teste a 30% de PG é provavelmente clinicamente relevante seja a reação do teste causada por alergia ou irritação.


Teste de Contato


              Propilenoglicol está incluída em diversas baterias de testes de contato, incluindo a norte americana, as baterias recomendadas pela Sociedade Americana de Dermatite de Contato, a bateria de cosméticos, a bateria padrão compreensiva internacional. Nos EUA, é tipicamente aplicado como solução aquosa a 30%, embora na série de cosméticos é aplicado PG a 5% em vaselina. Interessantemente, não está incluída nas baterias de reações adversas a drogas ou baterias de corticoides, a despeito de extensa documentação de sua relevância para reações associadas com drogas sistêmicas e corticoides tópicos. Além disso, embora esteja incluído na bateria da Sociedade Americana de Dermatite de Contato baseado no grupo americano, não é parte de uma bateria internacional baseados no Grupo Internacional de Dermatite de Contato, TRUE teste ou na bateria padrão Européia.


            Uma vez que o PG pode agir como irritante, reações fracas se apresentam com 48 horas, que se foram ou quase desapareceram em 96 horas (reações decrescentes) são comumente reações irritativas falso-positivas. Por outro lado, uma ausência de reação ou fraca reação com 48 horas seguida por uma reação forte em 96 horas (reação crescente) é mais provavelmente indicativa de alergia de contato. Entretanto, isso pode ser enganoso porque algumas substâncias, incluindo PG, pode se apresentar como “irritante tardio”. Margens bem demarcadas de reações eritematosas ou reações que ocorrem em menos de 24 horas são sugestivas de reação irritativa. Reações fracas podem ser relevantes, especialmente se elas são tardias (por exemplo, dia 7). Tem sido sugerido que reações “fracas tardias” podem ser relevantes, e PG deveria ser reconsiderado como um alérgeno de contato em pacientes com reações positivas nos dias 3 ou 4, mas reações negativas no dia 7.


Conclusões e Recomendações


              Propilenoglicol tem se tornado onipresente em produtos tópicos e sistêmicos. Apesar de dermatite alérgica de contato a PG possa ter uma baixa prevalência, muitos pacientes manifestam alguma forma de sensibilidade. A despeito da controvérsia relativa de o PG ser como um reagente irritante versus um reagente alergênico, qualquer reação é relevante para os pacientes cuja pele é comprometida pelo PG. Teste de contato é o critério padrão para avaliar dermatite de contato alérgica, mas avaliação de testes de contato pode ser desafiador por causa da natureza frequentemente fraca do teste positivo a PG. É, portanto, importante que os especialistas devam estar familiarizados com como o teste positivo a PG se apresenta.


 


Tradução: Dr Paulo Belluco 


Artigo original disponível em: https://journals.lww.com/dermatitis/Fulltext/2018/01000/Propylene_Glycol.2.aspx