Tradução de Artigo: Cobalto, o alérgeno de 2016

12/11/2016 17:26

Cobalto Alergeno do ano 2016


Os metais como níquel, ouro, cromo, paládio e cobalto com frequência produzem testes cutâneos positivos na população geral. A percentagem de positividade é similar nos principais grupos de investigação de dermatite de contato no mundo. Embora o cobalto seja reconhecido como um alergeno comum, recentemente foram reportados conceitos importantes em torno deste metal e sua associação com a dermatite alérgica de contato. Esses aspectos tem dado lugar ao reconhecimento como Alergeno do Ano de 2016 pela Sociedade Americana de Dermatite de Contato.


                É um metal cinza brilhante que se encontra na terra junto com níquel e cobre. Descoberto por George Brandt na Suécia na década de 1730. Muitas vezes se apresenta com uma cor azul. Encontrado principalmente no Canadá, China, Austrália e alguns países africanos.


Utilizado em ligas com aço já que é um metal duro e resistente, para a fabricação de ferramentas, motores de veículos e imãs. E também e materiais ortopédicos e outros insumos médicos.


O cobalto se encontra em cerâmicas, cimento, materiais de construção e alguns plásticos e tintas para couro dentre outros insumos de uso comum.


Epidemiologia  da alergia ao cobalto


Tem sido reportado que 5,23% dos pacientes tem provas positivas ao cobalto. As mulheres se sensibilizam duas vezes         mais que os homens e a percentagem de sensibilização nos atópicos é muito mais alta e chega a 20%.


Estudos recentes tem demonstrado que a sensibilização ao cobalto é distinta do níquel já que uma percentagem importante dos indivíduos sensibilizados ao cobalto tem patch test negativo para o níquel. No entanto, é possível que uma alergia pré-existente ao níquel favoreça  ou induza a  sensibilização ao cobalto. Estudos com pacientes com dermatite de mãos e sensibilizado ao níquel favoreça e induza a sensibilização ao cobalto. Estudos em pacientes com dermatite de mãos e sensibilizados ao níquel, tem demonstrado que 25% dos testes positivos ao cobalto, enquanto que na população geral a porcentagem de testes positivos é 5%


Couro


Estudos realizados na Escandinávia demonstraram sensibilização ao cobalto em pacientes cuja única exposição tinha sido ao couro, demonstrando-se nesse estudo o alto conteúdo de cobalto no couro, que deu origem à dermatite. De maneira que deve-se ter o couro como um material que pode produzir sensibilização e dermatite de contato pelo cobalto.


 


 


Bijuteria


Tem sido sugerido que a bijuteria que contém cobalto tem um aspecto mais escuro e opaco que aquelas que não o contém, que são de cor mais clara e mais brilhante.


Outros estudos tem demonstrado que pacientes com alergia ao cobalto toleram mais as ligas com platina que ao cobalto sozinho. Acredita-se que esta liga une o cobalto firmemente e o torna hipoalergênico. Essa é uma ligação inovadora, que é tolerada pelos pacientes com dermatite alérgica de contato ao cobalto.


Existe um teste que se realiza facilmente no consultório para detectar o cobalto nos materiais de metal. É similar ao que se realiza para detectar a presença de níquel com dimetilglioxime. Nesse teste, desenvolvido por Thyssen e colaboradores (2010), o cobalto pode ser detectado usando ácido sufonico-2-nitroso-1-naftol-4 a 1% em solução aquosa em pH entre 7 e 8 e se pode obter comercialmente. No lugar da cor rosada que se obtém na prova positiva para o níquel, esta produz uma mancha amarelo-laranja se positiva para o cobalto. A cor amarela vai se intensificando à medida que a quantidade de cobalto é maior no objeto em estudo.


 


Cobalto em dispositivos de implantes


Tem sido relatados casos de dermatite alérgica de muito difícil tratamento em pacientes com prótese de quadril e joelho que contém cobalto. Somente houve remissão da dermatite ao trocar a prótese por uma de titânio. No entanto, existem pacientes com boa tolerância a estes implantes. Os metais de próteses que produzem mais alergia são o cobalto, cromo e níquel.


Outros dispositivos como os stents vasculares, marcapassos e metais de holters podem produzir alergia. Embora a maioria destes dispositivos serem bem tolerados pelos pacientes.


Existem outras fontes de cobalto  que podem produzir sensibilização, como cianocobalamina, pacientes que tomam vitamina B12 com frequência podem apresentar queilite,lesões na mucosa oral e dermatite de mãos. Outras fontes de cobalto são metais da indústria pesada, como brocas/perfuração, ferramentas e objetos de mecânica. Resinas de poliester, objetos de plástico , pintura e esmalte, cimento, cerâmicas e tintas de impressão.


 


Cobalto em tatuagens


Há relatos de que as cores azuis de tatuagens produzem reações alérgicas em áreas onde o pigmento foi usado.


 


 


 


Fotossensibilização com cobalto


 


Gimenez Camarasa e Alomar do Grupo Espanhol de Investigação e Dermatite de Contato reportaramo caso de um paciente com dermatite crônica e eczema severo combinado com dermatite papular crônica somente em áreas expostas. Ainda que o paciente tivesse testes positivos a outros metais, só foi positivo para o cobalto no foto patch. Isto sugere que pacientes com probabilidade de alergia a cobalto e com dermatite em áreas expostas a luz devem ser estudados com fotopatch. Nesses casos o patch pode ser negativo para o cobalto e positivo ao realizar o fotopatch.


Patch com cobalto


É descrita uma reação muito peculiar em patchs com cobalto, com aspecto moteado, sem edema ou eritema uniforme. Possivelmente devido a uma reação dos poros, o que seria uma reação irritativa.


Deve ser utilizada dose alta para realizar o patch para cobalto. Com Cloreto de cobalto a 1% em solução aquosa ou com sulfato de cobalto a 2,5%.


Imaginava-se que a alergia por contato a cobalto fosse ocasional e com estreito vínculo com a alergia ao níquel mas, novos achados tem mostrado que se trata de um metal sensibilizante e que se encontra em muitas fontes e que deve ser estudado de maneira mais aprofundada, para prevenir sensibilização e realizar diagnósticos corretos.


 


Arquivo original em Espanhol:http://piel-l.org/blog/42733