ALERGIA ALIMENTAR

Alergia Alimentar

Pode ser definida como uma reação adversa a um antígeno alimentar, mediada por mecanismos fundamentalmente imunológicos. O quadro clínico é muito variável, com sintomas que podem surgir na pele, no sistema gastrointestinal e respiratório. As reações podem ser leves com simples coceira nos lábios até reações graves que podem comprometer vários órgãos.

A alergia alimentar resulta de uma resposta exagerada do organismo a determinada substância presente nos alimentos. Ela vem se tornando um problema de saúde em todo o mundo e está associada a um impacto negativo significativo na qualidade de vida. Os alimentos mais citados como causadores de alergias alimentares são: leite, ovos, amendoim, trigo, soja, castanhas, peixe e camarão e os principais alérgenos alimentares identificados são de natureza proteica. A sensibilização a estes alimentos (formação de anticorpos IgE) depende dos hábitos alimentares da população. O amendoim, os crustáceos, o leite de vaca e as nozes são os alimentos que com maior frequência provocam reações graves, anafiláticas. Os alimentos podem provocar reações cruzadas, ou seja, alimentos diferentes podem induzir respostas alérgicas semelhantes no mesmo indivíduo. O paciente alérgico ao camarão pode não tolerar outros crustáceos. Da mesma forma, pacientes alérgicos ao amendoim podem também apresentar reação ao ingerir a soja, ervilha ou feijão.

Não se deve confundir alergia alimentar com intolerância alimentar, que é uma desordem metabólica onde a ausência da enzima lactase no intestino, determina uma incapacidade na digestão da lactose (açúcar do leite), que pode resultar em sintomas intestinais como distensão abdominal e diarreia. Esta intolerância geralmente é dose dependente e o indivíduo pode tolerar pequenos volumes de leite por dia ou se beneficiar dos leites industrializados sem lactose ou com baixos teores. Torna-se importante esta diferenciação pois a orientação nutricional é distinta. Enquanto na intolerância à lactose, eventualmente, é possível ingerir pequenas quantidades de leite ou produtos industrializados sem lactose, na alergia às proteínas do leite a alimentação não deve conter proteínas do leite de vaca ou derivados.

Outros componentes de bebidas e alimentos industrializados como os aditivos alimentares, conservantes e corantes provocam reação no organismo, confundindo com a alergia alimentar. Estas reações felizmente são raras, mas não devem ser menosprezadas. O corante artificial tartrazina, sulfitos e glutamato monossódico são relatados como causadores de reações. A tartrazina pode ser encontrada nos sucos artificiais, gelatinas e balas coloridas enquanto o glutamato monossódico pode estar presente nos alimentos salgados com temperos (caldos de carne ou galinha). Os sulfitos são usados como conservantes em alimentos (frutas desidratadas, vinhos, sucos industrializados) e medicamentos, sendo relacionados a crises de asma em indivíduos sensíveis.

O mesmo ocorre com a diferenciação entre alergia alimentar e a reação adversa a alimentos, que é qualquer reação indesejável que ocorre após ingestão de alimentos ou aditivos alimentares. As reações alimentares não alérgicas podem ser classificadas em tóxicas (intoxicação alimentar) e não tóxicas. As reações não tóxicas podem ser de Intolerância ou Hipersensibilidade. Um exemplo de reação não tóxica é a reação por ingestão de alimentos contaminados por micro-organismos e se apresenta agudamente com febre, vômitos, diarreia e geralmente acometem várias pessoas que ingeriram os alimentos contaminados.

A prevalência das alergias alimentares em criança é de 6 a 8%, enquanto que no adulto estima-se em 3%. Outros fatores importantes são a predisposição genética, a potência alergênica de alguns alimentos e alterações intestinais que tem papel importante no mecanismo imunoalérgico. Estudos indicam que de 50 a 70% dos pacientes com alergia alimentar possuem história familiar de alergia. Se o pai e a mãe apresentam alergia a probabilidade de terem filhos alérgicos é de 75%.

As manifestações clínicas mais comuns são: urticária, inchaço, coceira, eczema, diarreia, dor abdominal, vômitos e no aparelho respiratório pode ocorrer sintomas como tosse, rouquidão e chiado no peito. Reações graves como choque anafilático acometendo vários órgãos também podem ocorrer. Nas crianças pode ocorrer perda de sangue nas fezes o que ocasionará anemia e retardo no crescimento.

O diagnóstico depende da história clínica minuciosa associada aos dados do exame físico que podem ser complementados por testes alérgicos. Na história clínica é fundamental que o paciente ou seus pais, no caso das crianças, auxiliem fornecendo detalhes sobre os alimentos ingeridos rotineiramente ou eventuais. Em algumas situações é possível correlacionar o surgimento dos sintomas com a ingestão de determinado alimento. Em outras ocasiões o quadro não é tão evidente necessitando de história mais detalhada. Isso acontece principalmente quando as reações ocorrem horas após a ingestão do alérgeno. A alergia alimentar acontece mais frequentemente nas crianças pequenas onde o leite de vaca e o ovo são os alimentos mais comuns. O chocolate muitas vezes relatado pelos pais e avós, raramente causa alergia, assim como os adultos que incriminam a carne de porco. Nos adultos o camarão é queixa frequente em nosso meio.

O diagnóstico é clínico e complementado através de testes alérgicos cutâneos e de exame de sangue com a dosagem específica do alérgeno suspeito. O teste alérgico é um método de diagnóstico seguro, confiável e rápido. Deve ser realizado pelo médico especialista que após a história clínica e o exame físico, determinará quais substâncias podem ter importância no quadro clínico e, portanto, deverão ser avaliadas. O desconforto pode ocorrer pela coceira (prurido) no local do teste, no caso da reação positiva e no controle positivo (histamina). Na maioria das vezes é realizado no antebraço após higiene local com algodão e álcool. O resultado é obtido em 15 a 20 minutos e a reação positiva consiste na formação de uma erupção (pápula) vermelha, semelhante a picada de mosquito. Esta reação indica presença de IgE específica ao alimento testado. Algumas vezes torna-se necessário realizar o teste com o próprio alimento “in natura” (prick to prick). O outro método é através da dosagem de IgE específica que se faz através do exame de sangue.

Até o momento não existe uma droga específica para prevenir a alergia alimentar ou medicamento para tratar a causa dessa alergia. Uma vez diagnosticada a conduta é evitar o alimento e utilizar medicamentos para o tratamento das crises (sintomas). É extremamente importante orientar o paciente e seus familiares para evitar novo contato com o alimento desencadeante. As orientações devem ser por escrito visando à substituição do alimento excluído e evitando-se deficiências nutricionais até quadros de desnutrição, importante principalmente nas crianças. O paciente deve estar sempre atento ao rótulo dos alimentos industrializados buscando identificar as substâncias relacionadas ao alimento que lhe desencadeou a alergia. Por exemplo, a presença de: manteiga, soro, lactoalbumina ou caseinato, apontam para a presença de leite de vaca. Pacientes com história de reações graves devem ser orientados a portar medicamentos específicos (adrenalina), mas torna-se obrigatório uma avaliação em serviço de emergência para tratamento adequado e observação, pois em alguns casos pode ocorrer uma segunda reação, tardia, horas após.

Atualmente a imunoterapia oral (dessensibilização ou indução da tolerância alimentar) tem sido cada vez mais indicada e com ótimos resultados. A dessensibilização a alimentos consiste na oferta de doses ínfimas e crescentes dos alimentos (especialmente leite e ovo) em intervalos regulares, para que se obtenha um condicionamento do organismo a não reagir a determinadas porções dos alimentos que causam alergias. O procedimento deve ser realizado apenas por médicos experientes, em ambientes preparados para o controle de possíveis reações.

ALERGIA A PICADA DE INSETOS SUGADORES

Alergia a picada de insetos e Sugadores

As reações alérgicas por picada de insetos podem ser causadas por insetos sugadores (mosquitos, pulgas, carrapatos) e insetos picadores (abelhas, vespas, marimbondos e formigas). Ao picar ou ferroar, os insetos injetam o veneno responsável pela coceira e inchaço no local. Apesar de não ser grave o fato é que essas picadas incomodam. Coçar a região pode fazer o veneno espalhar-se e aumentar a coceira.

Os principais insetos sugadores são os pernilongos, borrachudos, mosquitos (palha ou birigui, mutucas, pólvora ou maruim ou mosquitinho do mangue) e pulgas. Estes insetos pousam na pele, picam, sugam o sangue e através da saliva deixam substâncias que podem provocar a sensibilização. A reação causada pelos insetos sugadores é denominada de estrófulo ou prurigo estrófulo ou urticária papular.

Os sintomas são o aparecimento de pequenas erupções elevadas (pápulas), avermelhadas e com coceira (prurido). Podem evoluir para pequenas bolhas com líquido (vesículas) e para formação de crostas, podendo ou não ter uma infecção secundária devido a coçadura. As lesões são mais comuns nas áreas expostas aos insetos principalmente braços e pernas. Em alguns casos, podem ser intensas e com muitas lesões, sem a necessidade de várias picadas.

O diagnóstico é clínico e tem como antecedente a informação de que houve piora após passeios no campo ou praia, visitas a familiares ou locais com a presença de animais (cachorros e/ou gatos) ou em épocas de mosquitos.

Os testes alérgicos com antígenos de insetos não são necessários na maioria das vezes, sendo restritos em casos específicos ou após repetição de várias crises de reação por picada de insetos.

Geralmente é uma alergia autolimitada e tende a desaparecer com a idade.

O tratamento deve abordar três fases:

  1. medidas para prevenir novas picadas, como calafetar o piso, dedetizar a casa, telas nas janelas, cortinados nas camas, eliminar plantas e depósitos de água parada, afastar animais ou mantê-los livres de pulgas, evitar fatores que atraem os insetos como perfumes, loções ou óleos perfumados, evitar roupas com cores vivas que atraem os insetos e usar repelentes de insetos;
  2. medicamentos sintomáticos como cremes ou pomadas para as alergias de pele e se necessário, antialérgicos por via oral;
  3. imunoterapia ou vacinas alergênicas específicas com objetivo de diminuir a sensibilidade alérgica, controlando a doença e prevenindo suas complicações.

ALERGIA A PICADA DE HIMENÓPTEROS

Os insetos estão por toda parte e embora a maioria não seja perigosa, sua picada ou ferroada incomoda. As abelhas, vespas, aranhas, marimbondos ferroam pessoas quando se sentem ameaçados ou quando querem proteger seus ninhos. Os principais insetos picadores são as abelhas, vespas ou marimbondos e formigas, pertencem à ordem Himenóptera. São reconhecidas 15.000 espécies de formiga, 20.000 espécies de abelhas e 68.000 espécies de vespas ou marimbondos.

Estes insetos quando picam provocam dor, vermelhidão (eritema), calor, inchaço (edema) no local da picada em qualquer pessoa. Algumas pessoas podem ser picadas por himenópteros e sensibilizar, apresentando reações sucessivamente mais intensas em picadas posteriores. Somente pequena porcentagem das pessoas desencadeia reações graves às picadas.

O diagnóstico exato deve ser realizado por médico especialista através da análise clínica, identificação da espécie do inseto e dos testes alérgicos, que podem ser “in vitro” (sangue) e “in vivo” (pele do paciente). Os testes cutâneos de leitura imediata (teste de puntura ou prick test ou intradérmico) devem ser realizados com cuidados especiais devido ao risco de reações graves.

Picada por estes insetos himenópteros podem provocar reações tóxicas e neste caso sem mecanismo alérgico, pois resulta de picadas múltiplas e simultâneas, podendo levar uma pessoa à morte, pela ação direta da quantidade de veneno que é injetada no organismo.

As reações alérgicas podem ser locais e leves, provocando dor, vermelhidão e inchaço no local da picada. O organismo resolve espontaneamente ou com tratamento oral e/ou local e evolui sem sequelas.

Nas reações alérgicas do tipo anafilática aparece reação no local da picada e no corpo com placas avermelhadas (urticária), com intensa coceira (prurido), mal-estar, ansiedade, podendo ter ou não dificuldade para respirar, com sensação de fechamento na garganta. Nos casos mais graves falta de ar (dispneia), edema de glote, dor abdominal, enjoo, diarreia, incontinência urinária, queda da pressão arterial, desmaios e sensação de morte iminente com perda da consciência.

A reação aos venenos de insetos é muito rápida e por isso o paciente deve ser medicado prontamente. Como pessoas previamente sensibilizadas podem estar em locais distantes de grandes centros médicos ou sem recursos para o pronto atendimento, é recomendado que levem consigo material de emergência. A principal medicação é a adrenalina (epinefrina), pois é a única substância que atua rápido e pode evitar um choque anafilático. O material de emergência deve conter: adrenalina injetável (epinefrina 1:1.000), seringas descartáveis de 1 ml do tipo insulina ou alergia, algodão com álcool para assepsia. O médico pode orientar outros tipos de medicamentos como anti-histamínicos, corticoides, etc. Existe um tipo de adrenalina autoinjetável importada bem mais prático e que vem pronto para uso. Sempre procurar assistência médica em hospital de emergência.

No caso de reações leves o tratamento é mais simples. Se houver ferrão preso à pele, retire-o. Esta atitude impedirá que mais veneno seja liberado. Lavar a área com água e sabão, uma compressa fria pode reduzir a dor e o inchaço, analgésicos podem aliviar a dor das picadas e cremes tópicos podem aliviar a coceira. Tomar medicação específica para alergia.

O tratamento da sensibilidade ao veneno do himenóptero é feito com a imunoterapia específica com o veneno do inseto, tem indicação absoluta, em qualquer faixa etária, com história de reações sistêmicas graves associadas a sintomas respiratórios e/ou cardiovasculares e com testes diagnósticos positivos (testes cutâneos e/ou IgE sérica específica). Esta forma de tratamento somente deve ser prescrita a pacientes com quadros mediados por IgE. Na falta da imunoterapia específica 25 a 65% dos pacientes que apresentaram reação sistêmica terão outra reação se forem novamente picados.

Além disso, cuidados devem ser tomados para evitar a picada e prevenir a reação alérgica aos himenópteros:

  1. Evitar roupas coloridas e perfumes;
  2. Evitar estender roupas ao ar livre;
  3. Evitar comer ao ar livre ou mexer em fruta ou comida;
  4. Evitar mexer em lixeiras;
  5. Evitar a proximidade de colmeias;
  6. Evitar o uso de perfumes ou ambientadores;
  7. Em casa colocar telas de proteção nas portas e janelas;
  8. Evitar atividades ao ar livre (jardinagem, cortar relva ou andar descalço na relva);
  9. Não se aproximar de zonas arbustivas, árvores de fruto ou caixotes de lixo, colmeias ou ninho de vespa;
  10. Evitar correr, montar a cavalo, andar em bicicleta em região de bosques e campos;
  11. Manter-se vigilante em áreas com piscina;
  12. Manter as janelas do automóvel fechadas quando em viagem;
  13. Evitar movimentos bruscos quando uma abelha/vespa se aproxima.

DERMATITE ATÓPICA

Dermatite atópica

Também é chamada de Eczema Atópico. É uma doença inflamatória crônica recidivante (melhora e piora), caracterizada por intensa coceira (prurido), com lesão eczematosa (lesão seca e descamativa), com localização típica de acordo com a idade e frequentemente associada a outras doenças atópicas (asma e/ou rinite). As crianças com dermatite atópica tem mais tendência a desenvolver asma e/ou rinite alérgica.

A dermatite atópica pode ocorrer em qualquer idade, porém incide com mais frequência na infância, onde em 60% acontece durante o primeiro ano de vida e aproximadamente 85% durante os cinco primeiros anos de vida.

Os sintomas são: intensa coceira, eczemas, vermelhidão, inchaço, pele ressecada, descamação e, às vezes, manchas esbranquiçadas na pele. A principal característica é a intensa coceira (prurido), geralmente de início precoce e com evolução crônica e recidivante (as lesões aparecem e reaparecem) e com história de alergia de pele ou respiratória na família.

As lesões mais frequentes são: eritema (vermelhidão), edema (inchaço), exsudação (secreção na pele), crostas e descamação e outras como a pele ressecada e manchas brancas (pitiríase alba). A distribuição das lesões tem algumas características peculiares da doença e é variável com a idade, para facilitar a explanação divide-se em fase infantil, pré puberal e adulta.

Fase infantil (0 a 2 anos): as lesões são agudas, principalmente na face, pescoço, tronco e na superfície de extensão dos membros.

Fase pré-puberal (2 a 12 anos): as lesões são subagudas, preferencialmente nas dobras dos cotovelos (região cubital), dobras atrás dos joelhos (região poplítea), pescoço, mãos e pés.

Fase adulta (após 12 anos de idade): as lesões são crônicas com surtos de agudização em localizações variadas.

Os principais fatores desencadeantes são:

  1. alimentos (leite, ovo, trigo, soja, amendoim, peixes e frutos do mar);
  2. fatores ambientais (ácaros, fungos, animais, polens);
  3. substâncias irritantes cutâneas (lã, sabão, detergentes, amaciante de tecidos, suor e solventes);
  4. infecções (vírus, bactérias);
  5. fatores emocionais.

A dermatite atópica pode ser controlada através de cuidados com a pele, controle ambiental e evitar os alérgenos. Além disso os tratamentos com medicamentos controlam os sintomas. A qualidade de vida pode piorar por causa da diminuição do sono, devido ao intenso prurido (coceira à noite). A grande maioria melhora com os tratamentos disponíveis. Por outro lado, quando existe a cronificação da doença para a fase adulta é muito mais difícil fazer o controle dos sintomas. A dermatite atópica é uma doença crônica e pode ser altamente frustrante para as famílias.

O diagnóstico dos quadros clássicos da dermatite atópica é baseado na história do paciente e nas manifestações clínicas, não se esquecendo das suas múltiplas apresentações.

Os exames laboratoriais auxiliam no diagnóstico, a eosinofilia e níveis elevados de IgE sérica comumente são vistos em pacientes com dermatite atópica. Entretanto, cerca de 20% dos pacientes não apresentam alterações nos níveis de IgE e a elevação do número de eosinófilos.

Indica-se o teste alérgico na pele como o de puntura (prick test) a vários alérgenos alimentares e inaláveis com algumas precauções, devido a característica da dermatite atópica. A positividade a um aeroalérgeno ou a um alimento pode não ter relevância clínica, principalmente se o paciente apresenta níveis elevados de IgE (as reações ocorrem de forma inespecífica, ou seja, um falso positivo). Independentemente deste fato, os pesquisadores Sampson e Albergo ressaltam que o teste cutâneo de leitura imediata, positivo a um alimento indica apenas sensibilização ao mesmo e não necessariamente a sua participação na doença, pois apresenta valor preditivo positivo de apenas 50%, devendo por isso ser confirmado pelo teste de provocação oral. Em contrapartida se o teste for negativo ele terá valor preditivo negativo de 90% e afasta a sua participação na gênese e/ou agravamento da dermatite atópica. Entre os aeroalérgenos mais envolvidos no Brasil estão os ácaros: Dermatophagoides pteronyssinus, Dermatophagoides farinae e Blomia tropicalis.

A IgE específica pode ser determinada por testes “in vitro” (no sangue). Este método de pesquisa está indicado para pacientes com dermatite atópica, principalmente quando a região envolvida seja extensa e grave. Embora tenham menor valor preditivo para a maioria dos alérgenos do que os testes cutâneos, observa-se relação entre dados clínicos e níveis séricos de IgE específica para determinados alérgenos alimentares.

Os testes de contato para atopia (APT - atopic patch test) são considerados procedimentos novos para a identificação de alérgenos provocadores de lesões eczematosas, em pacientes com dermatite atópica. Em contraste com o teste de leitura imediata (puntura ou prick test), o teste de contato permite detectar sensibilização relevante na ausência de IgE específica. Uma resposta positiva pode representar a expressão de reação imunológica mediada por linfócitos T ou uma reação de fase tardia mediada por IgE. Podem ser utilizados alérgenos de ácaros, de animais, de fungos, de polens e de alimentos.

A provocação alimentar (duplo-cego, placebo controlado) representa o padrão ouro no diagnóstico de alergia alimentar. Depois de dieta com exclusão de alérgenos, os alimentos suspeitos ou placebo são administrados em doses crescentes. O período de observação de reações depende da história clínica, apontando para reações IgE mediadas ou IgE não mediadas, variando desde horas, até vários dias nos mecanismos que envolvem imunidade celular. Pacientes com história de reações imediatas graves e sistêmicas à ingestão de alimentos, não devem ser provocados por via oral.

O tratamento da dermatite atópica inclui a hidratação da pele e banhos de curta duração (15 minutos) com água morna para fria. Os sabonetes devem ser leves, hidratantes e de preferência sem perfume. Banhos de espuma podem causar irritação na pele. Para secar utilizar toalhas felpudas e não esfregar sobre a pele. As unhas devem ser cortadas com frequência para evitar traumatismo na pele devido à coceira. Em crianças pequenas o uso de luvas de algodão é recomendado para diminuir a coçadura durante o sono.

Além dos cuidados com a pele evitar os possíveis alérgenos (agente causador) é a principal arma terapêutica. Podem ser utilizados os anti-inflamatórios tópicos (creme ou pomadas de corticosteroides), atualmente pode-se utilizar um tópico não corticoide que é o pimecrolimus e anti-histamínicos (antialérgicos) por via oral, para controlar a coceira e diminuir as erupções na pele. Nas fases agudas e graves pode-se utilizar os anti-inflamatórios orais ou injetável (corticosteroides). A imunoterapia (vacinas de alérgenos) pode auxiliar no tratamento da causa, geralmente quando associado à alergia respiratória (asma e/ou rinite). Nas dermatites atópicas graves e de difícil tratamento com drogas convencionais, o uso de imunossupressor (ciclosporina e metotrexate) mostrou-se benéfico. Outra medida utilizada é a fototerapia combinada com PUVA (psoraleno mais radiação da luz ultravioleta A) ou combinações de ultravioleta A (UVA) e ultravioleta B (UVB) que ajudam no controle da doença.

DERMATITE DE CONTATO ou ECZEMA DE CONTATO

Dermatite de contato

É uma reação inflamatória na pele decorrente da exposição a um agente capaz de causar irritação ou alergia. Existem dois tipos de dermatite de contato: a irritativa e a alérgica.

O eczema ou dermatite por irritante primário ocorre pela ação direta da substância sobre a pele, que a danifica e desencadeia a reação. Não há mecanismo imunológico envolvido. Pode aparecer na primeira vez em que entramos em contato com o agente causador e é uma forma que ocorre em um grande número de pessoas. As lesões da pele geralmente são restritas ao local do contato. As substâncias irritantes, físicas ou químicas, produzem lesões nos ceratinócitos, células de Langerhans e outros componentes celulares da pele, provocando secreção e liberação de citocinas mediadoras da inflamação. Os irritantes primários, dependendo de propriedades como: capacidade de penetração na pele, peso molecular, pH (alcalino ou ácido), veículo, estado iônico, concentração e duração da exposição, entram em contato com a pele, produzindo eritema (vermelhidão), vesículas ou bolhas, acompanhados de sintomas como ardor e dor local. Essa reação é imediata ou pode demorar algum tempo para se manifestar, dependendo do potencial irritante da substância.

A dermatite alérgica de contato ou eczema alérgico de contato aparece após repetidas exposições a um produto ou substância. Ela depende de ações do sistema de defesa do organismo e por esse motivo pode demorar de meses a anos para ocorrer, após o contato inicial. Essa forma de dermatite de contato ocorre, em geral, pelo contato com produtos de uso diário e frequente como: perfumes, cremes hidratantes, esmaltes de unha, medicamentos de uso tópico, entre outros. As lesões da pele acometem o local de contato podendo atingir outros locais mais distantes. Esta dermatite é caracterizada por lesões de eczema após contato com substâncias específicas e é desencadeada pela penetração destas substâncias através da pele, mais precisamente pela camada córnea, por isso são de pequeno tamanho (baixo peso molecular – menos de 500 a 1.000 kDa) e lipossolúvel (solúvel em meio gorduroso). São os chamados haptenos, que são antígenos incompletos, pois necessitam ligar-se a proteínas para produzir uma resposta imunológica. A reação desencadeada é a de hipersensibilidade tardia tipo IV, da classificação de Gell e Coombs.

A prevalência da dermatite de contato é extremamente difícil de se estimar, varia de país para país, estima-se que 7% da população brasileira tem algum tipo de dermatite alérgica de contato.

As dermatites de contato podem ocorrer tanto no ambiente doméstico como nas atividades de lazer e de trabalho. Neste último é chamada de dermatite de contato ocupacional. As principais substâncias que podem causar alergia são: plantas, metais (níquel e outros metais presentes em bijuterias, relógios, adornos de roupas, calçados), cosméticos (perfume, shampoos, condicionadores, hidratantes, esmaltes de unhas, tinturas de cabelo), roupas e tecidos sintéticos, detergentes, medicamentos (antibióticos, anestésicos, antifúngicos), solventes, adesivos, cimentos, óleos, graxas e tintas.

A dermatite de contato pode ser desencadeada pela exposição à luz solar, chamada de dermatite fotoalérgica. As lesões são bem sugestivas pois acometem as zonas expostas ao sol, como a face, notando-se que regiões como a submentoniana (embaixo do queixo) e as pregas do rosto são poupadas. As substâncias não causam esse eczema sem a exposição da luz solar. Os raios UVA (ultravioleta A) são os que mais modificam a antigenicidade das moléculas, mas os raios UVB (ultravioleta B) também as modificam. O exemplo clássico é o uso da prometazina (anti-alérgico) tópica.

Os sintomas são variáveis e dependem da causa, ardor ou queimação até intensa coceira (prurido). As reações alérgicas podem ocorrer repentinamente ou meses após a exposição a uma substância, o que pode dificultar na descoberta do agente causador da alergia ou irritação. Muitas vezes provoca uma erupção vermelha no(s) local(is) em que a substância entrou em contato. A reação alérgica surge após 24 a 48 horas da exposição. A lesão pode ser inchaço (edema) e vermelha (eritema) com pequenas bolhas (vesículas), quente ou formar crostas espessas. A coceira (prurido) está presente em todas as fases e pode ser discreta ou muito intensa. As mãos são um local comum da dermatite de contato. Vários agentes podem ser os causadores, como produtos de limpeza, cosméticos (cremes e loções hidratantes) e frequentemente afetam as atividades profissionais, como cabeleireiros, auxiliares de limpeza, pedreiros e outras.

O diagnóstico baseia-se na história contada pelo paciente de exposição a um agente irritante ou alérgeno e no aspecto das lesões da pele. Quando existe a suspeita de se tratar de uma dermatite alérgica, está indicada a realização do teste de contato.

O teste de contato é um método no qual o médico aplica no dorso do paciente os agentes mais prováveis de terem causado a reação. O teste é aplicado e retirado após dois dias, mas o resultado final poderá ser definido somente após dois a três dias da retirada do mesmo, o que implica três visitas ao consultório médico.

O tratamento depende muito da extensão e da gravidade do quadro e as medidas poderão ser apenas locais ou incluir a utilização de medicação via oral ou injetável. Um dos primeiros passos inclui a higienização com água para remover qualquer vestígio do irritante ou alérgeno que possa ter permanecido na pele. Cremes ou pomadas de corticosteroides são utilizados para reduzir a inflamação da pele. É fundamental seguir atentamente as instruções ao usar esses cremes. O uso excessivo, mesmo dos mais fracos, pode deixar a pele dependente do produto. Adicionalmente ou para substituir os corticosteroides, o médico pode prescrever medicamentos chamados imunomoduladores tópicos, como o tacrolimus e pimecrolimus. Nos casos em que existe muita coceira e/ou nos casos mais graves, pode ser necessário o uso de antialérgicos orais, corticosteroides orais ou injetáveis. Emolientes e hidratantes ajudam a manter a pele úmida e também auxiliam na reparação e proteção da mesma.

URTICÁRIA

Urticária

São lesões vermelhas e inchadas, como vergões, que aparecem na pele rapidamente e coçam muito. O nome da lesão é urtica. Elas podem ser pequenas, isoladas ou se juntar formando grandes placas vermelhas, com desenhos e formas variadas, sempre acompanhadas de coceira. Pode aparecer em qualquer área do corpo. Normalmente as lesões mudam de lugar e algumas vão sumindo e outras aparecendo.

Cada lesão que aparece dura menos de 24 horas e some completamente, sem deixar marcas. A urticária pode ocorrer várias vezes ao dia ou aparecer sempre no mesmo horário, por exemplo, ao acordar, durante a tarde ou à noite. A coceira costuma ser muito intensa e atrapalha a vida, o trabalho e o sono.

Pode ocorrer inchaço (edema) nos lábios, pálpebras, língua, garganta, genitais, mãos e pés. Esse inchaço é chamado de angioedema que assim como a urticária, regride e some sem deixar marcas. O angioedema pode ser acompanhado, ou não, de falta de ar, dor abdominal ou dor para engolir. Essa forma mais grave pode levar ao risco de vida.

A urticária que melhora até 6 semanas é chamada de urticária aguda. Quando dura mais que 6 semanas é chamada de urticária crônica. Pode ocorrer em qualquer idade sendo mais comum em adolescentes e adultos jovens.

Acomete de 15 a 20% da população em alguma época da vida. Pesquisas demonstraram que em crianças 48,6% das urticárias são de etiologia infecciosa, em seguida por medicamentos e alimentos. Em adultos e adolescentes 52,9% são de etiologia física, sendo as urticárias: colinérgica, solar, ao frio e de pressão (dermografismo) as mais frequentes. Muitas vezes há grande dificuldade em se estabelecer a verdadeira causa (etiologia) da doença, sendo que 60 a 70% das urticárias crônicas permanecem como urticárias idiopáticas.

Algumas causas comuns que desencadeiam a urticária são: medicamentos (antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, vitaminas, etc.); alimentos (corantes, conservantes e aditivos); infecções (bactérias, vírus e parasitas); estímulos físicos (calor, sol, frio, fricção e vibração); picadas de insetos; doenças endócrinas (tireoidites) ou reumatológicas (lúpus eritematoso); doenças malignas (linfomas e tumores) e em muitas vezes, a causa não é determinada.

O sintoma mais comum é a coceira (prurido), mas as lesões podem dar a sensação de ardor ou queimação. As lesões (urticas) vermelhas e inchadas podem ter desde milímetros a centímetros de tamanho, estar isoladas ou se juntar formando placas extensas. Localizam-se em algumas regiões do corpo ou podem atingir quase toda a pele (chamada de urticária gigante). A forma das lesões é variada, pode ter contornos em arcos, em círculos, vergões, formando desenhos irregulares e estranhos. A duração das urticas é breve, algumas vão sumindo após algumas horas, enquanto outras vão surgindo. Cada lesão permanece no máximo 24 horas desde seu aparecimento. Quando regridem não deixam marcas e desaparece também a coceira. Os sinais e sintomas da urticária podem reaparecer a qualquer momento, durante horas, dias ou meses.

No angioedema ocorre inchaço rápido, intenso e localizado, que atinge normalmente pálpebras, lábios, língua e garganta, algumas vezes dificultando a respiração, constituindo risco de vida. As lesões de angioedema podem durar mais de 24 horas. Existe uma complicação chamada anafilaxia em que a reação alérgica envolve todo o corpo, determinando náuseas, vômitos, queda da pressão arterial, edema de glote (garganta) com dificuldade para respirar. É grave e necessário o atendimento de emergência.

Para o diagnóstico clínico da urticária aguda não são necessários exames complementares e a história clínica pode direcionar ao agente causador, embora frequentemente não seja identificado. A pesquisa para detectar o agente desencadeante alérgico pode ser realizada através da dosagem IgE específica sérica pelo sangue ou pelo teste cutâneo de leitura imediata (teste de puntura ou prick test), utilizando o extrato padronizado contendo o antígeno suspeito. O teste de contato (patch test) pode ser realizado em caso de suspeita de urticária de contato. O teste de provocação oral é considerado padrão ouro para diagnóstico de urticária por alimentos e medicamentos, no qual a substância suspeita deve ser excluída durante 2 a 6 semanas e reintroduzida após este período. Caso haja o reaparecimento das lesões o teste é considerado positivo. Não está indicado no caso de anafilaxia.

O principal tratamento da urticária é descobrir e afastar o agente causador. Evitar calor, bebidas alcoólicas e estresse que são fatores que pioram a irritação. A dieta alimentar sem corantes, conservantes, embutidos (frios, salsicha, etc.), enlatados, peixe e frutos do mar, chocolate, ovo, refrigerantes e sucos artificiais, ajuda a melhorar mais rápido, evitando o reaparecimento das lesões durante o tratamento.

Medicações antialérgicas são as indicadas como primeira opção para o tratamento da urticária. Outras medicações como corticosteroides e imunossupressores também podem ser utilizados, de acordo com a avaliação médica. Casos graves de angioedema ou anafilaxia devem ser levados ao serviço de emergência. Mesmo sem se descobrir a causa a urticária é controlada em mais da metade dos casos entre seis meses e um ano. Em cinco anos cerca de 90% dos pacientes estão sem a doença.

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Veja abaixo os testes que podem ser feitos na clínica do médico:

TESTE DE CONTATO (PATCH TEST)

Teste de Contato (Patch Test)

É indicado nos casos de suspeita clínica de dermatite de contato, nos eczemas crônicos recorrentes ou nas dermatites com liquenificações. O teste de contato pode ser usado: na investigação etiológica dos eczemas de contato, na avaliação da imunidade celular e na pesquisa e desenvolvimento de novas drogas e cosméticos pela indústria farmacêutica e/ou de cosméticos. Na investigação inicial destes quadros utiliza-se uma bateria padrão ou rotina ("standard"). A bateria de contato padrão ideal seria aquela que conteria as substâncias às quais os pacientes ou a população estudada estariam sensibilizados.

Se o resultado obtido com a bateria padrão for negativo ou se a(as) substância(s) positiva(s) não tiver(em) relação com a história e/ou exame físico do paciente, deverá ser feito teste de contato com outras substâncias para se tentar determinar o fator causal envolvido. Existem várias outras séries de teste de contato, como por exemplo:

  1. série profissional para pedreiros, pintores, enfermeiras, gráficos, mecânicos, dentistas, cabeleireiros, etc.;
  2. por local das lesões (face, perioral, mãos, pés, pernas, genitais, etc.);
  3. séries específicas (borracha, couro, cosméticos, dona de casa, drogas, etc.).

É um método no qual o médico aplica no dorso do paciente os agentes mais prováveis de terem causado a reação. O teste é aplicado num dia e retirado após dois dias, mas o resultado final poderá ser definido somente após um a dois dias da retirada dos mesmos, o que implica a três visitas ao consultório médico.

Substâncias a serem testadas: os médicos devem utilizar sempre substâncias de origem conhecida e padronizadas de acordo com a literatura especializada. Em 1995 foi formado o Grupo Brasileiro de Estudo em Dermatite de Contato (GBEDC), que propôs a elaboração de uma bateria padrão de contato brasileira, que foi baseada na bateria de contato “standard” (padrão americano) com 22 substâncias autorizadas pelo FDA - Food and Drug Administration, acrescidas de oito substâncias de uso frequente no Brasil. Atualmente novas séries complementam a bateria padrão brasileira. Nunca testar substâncias em que se desconheça sua composição, fórmula, concentração, etc., pois poderá ocorrer reação irritativa (falso-positivo) ou mesmo ocorrer a sensibilização do paciente. Alguns testes de contato podem ser realizados com substância no estado (“as is”) como por exemplo: drogas de uso tópico, tecidos, serragem de madeira e alguns cosméticos. Outras substâncias próprias do paciente podem ser testadas na forma original e algumas devem ser diluídas.

Orientação ao paciente antes do teste: o paciente não deve estar em uso de corticoides sistêmicos ou imunossupressores 30 dias antes do teste. Os corticoides tópicos não devem ser aplicados no local da aplicação do teste pelo menos 72 horas antes do procedimento. Evitar exposição prolongada à luz solar na região da aplicação do teste por duas semanas.

Preparo da pele do paciente: a pele deve estar limpa, livre de cremes, pomadas ou qualquer tipo de substância, não apresentar sudorese excessiva ou lesão dermatológica no local do teste. Limpar a pele com algodão embebido em álcool.

Local do teste: aplicar o teste na região dorsal do tronco, tendo como limite superior a primeira vértebra torácica, como limite inferior os ossos da pelve e como limites laterais as linhas axilares posteriores. Não aplicar o teste em locais em que a pele esteja lesada ou na vigência de dermatites agudas ou subagudas.

Procedimento de preparo do teste: colocar as substâncias a serem testadas em câmaras de plástico neutro ou alumínio, coladas diretamente em uma fita adesiva hipoalergênica e cada câmara com distância mínima de 2 cm uma da outra. As substâncias testadas podem estar em veículos diferentes como: vaselina pura, água, óleo de oliva, acetona, etc. Se a substância a ser testada estiver em veículo pastoso (vaselina), geralmente acondicionada em seringa, colocar a substância diretamente na câmara, pressionando o êmbolo da seringa lentamente até a saída de 7 mm da substância na cavidade da câmara (quando colada na pele deve preencher toda a cavidade). Se a substância for líquida colocar um filtro de papel na cavidade da câmara e em seguida pingar uma gota que seja suficiente para umedecer o papel filtro. Utilizar uma câmara para cada substância e identificar a fita com os contensores na região dorsal do paciente, a partir da extremidade inferior para a superior da fita. Em seguida pressionar a fita para melhor aderência e cada câmara para uma distribuição uniforme da substância do teste.

O paciente não deve realizar movimentos bruscos ou molhar o local em que estão colocados os contensores até o dia da sua retirada. Atualmente algumas fitas são impermeáveis à água. Os contensores (câmaras aplicadas na fita adesiva hipoalergênica) com as substâncias são deixados por 48 horas. Após 48 horas a fita é retirada e faz-se a primeira leitura. Após 72 a 96 horas da colocação do teste faz-se a leitura definitiva. As substâncias para as quais o indivíduo é sensível levarão ao aparecimento de erupção no local do teste.

Primeira Leitura: após 48 horas demarcar o local, retirar os contensores e proceder à primeira leitura.

Segunda leitura: a leitura final é feita após 72 e/ou 96 horas da colocação do teste. A leitura segue o padrão proposto pelo Grupo Internacional de Dermatites de Contato:

  • (-) reação negativa
  • (?) reação duvidosa – eritema leve mal definido sem edema
  • (+) reação fraca - eritema mais edema, infiltração e raras vesículas
  • (++) reação positivo forte – eritema, infiltração, pápulas, vesículas isoladas
  • (+++) reação positivo muito forte – eritema, infiltração, pápulas, vesículas agrupadas com bolhas.
  • RI – reação irritativa.

As reações alérgicas de contato por hipersensibilidade tendem a aumentar entre a primeira e a segunda leitura, por exemplo, uma reação que era de [+] na primeira leitura (48 horas) passa a [++] na segunda leitura (96 horas). O contrário acontece com as reações irritantes que em geral diminuem entre a primeira e segunda leitura, por exemplo, uma reação que era de [+++] na primeira leitura passa a [++] na segunda leitura.

Fototeste: algumas substâncias precisam da radiação ultravioleta (fótons) para sensibilizar a pele, como por exemplo: certas drogas, corantes alimentares e cosméticos. As lesões de pele decorrentes da foto-sensibilidade localizam-se em regiões descobertas como: face, pescoço, área em “V” supra-esternal, face dorsal dos membros superiores, dorso das mãos. No caso da dermatite ser grave, podemos também ter lesões em áreas extensas e cobertas. A técnica do teste de contato com radiação ultravioleta é a mesma do teste de contato clássico, a diferença é que na primeira leitura, após a retirada da fita de contensão do teste de contato, o local é exposto a uma lâmpada especial tipo Kromayer com um filtro que absorva radiações UV abaixo de 3.200 Å ou uma lâmpada de xenônio (Osram® XFB 6.000, ou Toshiba® FL20SE-30, ou Philips® TL ou Waldmann® UV) a uma distância de 50 centímetros por 16 minutos. Outras lâmpadas podem ser encontradas no mercado, com maior ou menor potência e energia e com isso varia a distância de aplicação da luz e o tempo de exposição. Como controle usar a mesma substância em outro local do corpo, porém sem expor à irradiação ultravioleta.

Confira abaixo produtos da linha Dermatológica

Bateria Alimentos

Alergia Alimentar é uma reação a um determinado alimento, mediada pelo sistema imunológico, atribuído a mudança no estilo de vida da população e de novos hábitos alimentares.

Bateria Cosméticos

As indústrias de cosméticos e higiene pessoal brasileiras vêm crescendo muito nos últimos anos e uma das características dessa indústria é a necessidade contínua de pesquisas em toda a cadeia produtiva com a introdução de inovações em suas linhas de produtos.

Bateria Padrão

A bateria de testes de contato padrão brasileira é composta por 30 substancias padronizadas, é utilizada desde o ano 2.000 e foi avaliada e aprovada pelo Grupo Brasileiro de Estudos da Dermatite de Contato.

Bateria Regional América Latina

As substâncias da bateria Regional América Latina complementam a Bateria Padrão e Cosméticos, com novas substâncias comumente presentes em produtos utilizados na América Latina.

Série Capilar

A série Capilar tem como finalidade complementar e ampliar o número de substâncias atualmente utilizadas para diagnóstico de alergia em tinturas, shampoos, condicionadores e outros produtos para os cabelos.

Série Corticóides

As reações alérgicas aos corticosteróides são aquelas que surgem quando são utilizados ou aplicados diretamente sobre a pele ou mucosas.

Série Unhas

A sensibilização aos produtos químicos que compõem a formulação dos esmaltes de unhas não ocorre somente na região das unhas, podendo manifestar-se também nas pálpebras, em torno da boca, queixo e pescoço.