URTICÁRIA

São lesões vermelhas e inchadas, como vergões, que aparecem na pele rapidamente e coçam muito. O nome da lesão é urtica. Elas podem ser pequenas, isoladas ou se juntar formando grandes placas vermelhas, com desenhos e formas variadas, sempre acompanhadas de coceira. Pode aparecer em qualquer área do corpo. Normalmente as lesões mudam de lugar e algumas vão sumindo e outras aparecendo. Cada lesão que aparece dura menos de 24 horas e some completamente, sem deixar marcas. A urticária pode ocorrer várias vezes ao dia ou aparecer sempre no mesmo horário, por exemplo, ao acordar, durante a tarde ou à noite. A coceira costuma ser muito intensa e atrapalha a vida, o trabalho e o sono.

Pode ocorrer inchaço (edema) nos lábios, pálpebras, língua, garganta, genitais, mãos e pés. Esse inchaço é chamado de angioedema que assim como a urticária, regride e some sem deixar marcas. O angioedema pode ser acompanhado, ou não, de falta de ar, dor abdominal ou dor para engolir. Essa forma mais grave pode levar ao risco de vida.

A urticária que melhora até 6 semanas é chamada de urticária aguda. Quando dura mais que 6 semanas é chamada de urticária crônica. Pode ocorrer em qualquer idade sendo mais comum em adolescentes e adultos jovens.

Acomete de 15 a 20% da população em alguma época da vida. Pesquisas demonstraram que em crianças 48,6% das urticárias são de etiologia infecciosa, em seguida por medicamentos e alimentos. Em adultos e adolescentes 52,9% são de etiologia física, sendo as urticárias: colinérgica, solar, ao frio e de pressão (dermografismo) as mais frequentes. Muitas vezes há grande dificuldade em se estabelecer a verdadeira causa (etiologia) da doença, sendo que 60 a 70% das urticárias crônicas permanecem como urticárias idiopáticas.

Algumas causas comuns que desencadeiam a urticária são: medicamentos (antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, vitaminas, etc.); alimentos (corantes, conservantes e aditivos); infecções (bactérias, vírus e parasitas); estímulos físicos (calor, sol, frio, fricção e vibração); picadas de insetos; doenças endócrinas (tireoidites) ou reumatológicas (lúpus eritematoso); doenças malignas (linfomas e tumores) e em muitas vezes, a causa não é determinada.

O sintoma mais comum é a coceira (prurido), mas as lesões podem dar a sensação de ardor ou queimação. As lesões (urticas) vermelhas e inchadas podem ter desde milímetros a centímetros de tamanho, estar isoladas ou se juntar formando placas extensas. Localizam-se em algumas regiões do corpo ou podem atingir quase toda a pele (chamada de urticária gigante). A forma das lesões é variada, pode ter contornos em arcos, em círculos, vergões, formando desenhos irregulares e estranhos. A duração das urticas é breve, algumas vão sumindo após algumas horas, enquanto outras vão surgindo. Cada lesão permanece no máximo 24 horas desde seu aparecimento. Quando regridem não deixam marcas e desaparece também a coceira. Os sinais e sintomas da urticária podem reaparecer a qualquer momento, durante horas, dias ou meses.

No angioedema ocorre inchaço rápido, intenso e localizado, que atinge normalmente pálpebras, lábios, língua e garganta, algumas vezes dificultando a respiração, constituindo risco de vida. As lesões de angioedema podem durar mais de 24 horas. Existe uma complicação chamada anafilaxia em que a reação alérgica envolve todo o corpo, determinando náuseas, vômitos, queda da pressão arterial, edema de glote (garganta) com dificuldade para respirar. É grave e necessário o atendimento de emergência.

Para o diagnóstico clínico da urticária aguda não são necessários exames complementares e a história clínica pode direcionar ao agente causador, embora frequentemente não seja identificado. A pesquisa para detectar o agente desencadeante alérgico pode ser realizada através da dosagem IgE específica sérica pelo sangue ou pelo teste cutâneo de leitura imediata (teste de puntura ou prick test), utilizando o extrato padronizado contendo o antígeno suspeito. O teste de contato (patch test) pode ser realizado em caso de suspeita de urticária de contato. O teste de provocação oral é considerado padrão ouro para diagnóstico de urticária por alimentos e medicamentos, no qual a substância suspeita deve ser excluída durante 2 a 6 semanas e reintroduzida após este período. Caso haja o reaparecimento das lesões o teste é considerado positivo. Não está indicado no caso de anafilaxia.

O principal tratamento da urticária é descobrir e afastar o agente causador. Evitar calor, bebidas alcoólicas e estresse que são fatores que pioram a irritação. A dieta alimentar sem corantes, conservantes, embutidos (frios, salsicha, etc.), enlatados, peixe e frutos do mar, chocolate, ovo, refrigerantes e sucos artificiais, ajuda a melhorar mais rápido, evitando o reaparecimento das lesões durante o tratamento.

Medicações antialérgicas são as indicadas como primeira opção para o tratamento da urticária. Outras medicações como corticosteroides e imunossupressores também podem ser utilizados, de acordo com a avaliação médica. Casos graves de angioedema ou anafilaxia devem ser levados ao serviço de emergência. Mesmo sem se descobrir a causa a urticária é controlada em mais da metade dos casos entre seis meses e um ano. Em cinco anos cerca de 90% dos pacientes estão sem a doença.