RINITE ALÉRGICA

É a inflamação da mucosa de revestimento nasal, caracterizada pela presença de um ou mais dos seguintes sintomas: obstrução nasal, secreção nasal (rinorreia), espirros, coceira (prurido) nasal e redução da sensibilidade olfativa (hiposmia). A rinite pode ser alérgica ou não alérgica.

Rinite não alérgica: pode ser dividida em: induzida por drogas (rinite medicamentosa por vasoconstritores nasais), rinite eosinofílica não alérgica (RENA), hormonal, gustatória, atrófica, associada a refluxo gastroesofágico e infecciosa. Existem outras mais raras como por alteração hormonal, vazamento de líquor, etc.

Rinite alérgica: é definida como inflamação da mucosa de revestimento nasal, mediada por IgE, após exposição a alérgenos e com os sintomas: obstrução nasal, rinorreia aquosa, espirros e prurido nasal. De acordo com a frequência dos sintomas, anteriormente, era classificada como rinite sazonal ou rinite perene.

A International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC) realizou novo levantamento epidemiológico (2003) mostrando a prevalência em torno de 20% entre escolares brasileiros.

O diagnóstico de rinite alérgica inclui a história clínica pessoal e familiar de atopia, exame físico e exames complementares. O diagnóstico é basicamente clínico com associação de vários dos seguintes sintomas: espirros seguidos (ou em salva), coriza aquosa, obstrução nasal e intensa coceira (prurido) nasal. O hábito de coçar o nariz com frequência com a palma da mão, é gesto conhecido como “saudação alérgica”. Em crianças podem ocorrer episódios recorrentes de sangramento nasal (epistaxe) relacionados à friabilidade da mucosa, episódios de espirros ou ao ato de assoar o nariz vigorosamente. A rinite alérgica, em geral, apresenta prurido e lacrimejamento ocular, podendo ocorrer também prurido no conduto auditivo externo, palato e faringe.

A ocorrência dos sintomas de rinite alérgica pode ser sazonal ou perene. Os sintomas sazonais (estacional ou primaveril) estão relacionados principalmente à sensibilização e à exposição a polens. Quando a sensibilização e exposição aos alérgenos for diária ou perene (ex: ácaros da poeira domiciliar), os sintomas ocorrerão ao longo de todo o ano. Eles poderão ser persistentes ou intermitentes, de acordo com a maior ou menor exposição aos alérgenos em questão e a gravidade do caso. Em nosso país, a rinite alérgica por sensibilização a ácaros e/ou fungos tem o seu curso clínico agravado nos períodos de outono/inverno, pelas condições climáticas favoráveis à proliferação dos mesmos.

Os aeroalérgenos, em geral, são proteínas solúveis de baixo peso molecular que podem facilmente se desprender da sua fonte o que facilita sua dispersão aérea e a penetração no epitélio respiratório. Os alérgenos de maior relevância clínica são os oriundos de ácaros da poeira, baratas, fungos e de outras fontes alergênicas (ex: pelos, saliva e urina de animais domésticos, restos de insetos, alimentos). Os ácaros da poeira domiciliar têm mais de 20 componentes alergênicos identificados, contudo a fonte mais importante de aeroalérgenos destes insetos são as partículas fecais, cobertas por proteases resultantes de resíduos de degradação da lisina. Os três ácaros mais comuns e identificados como sensibilizantes em estudos brasileiros são o Dermatophagoides pteronyssinus, o Dermatophagoides farinae e a Blomia tropicalis.

Os recursos para o diagnóstico da rinite alérgica podem ser divididos em:

  1. diagnóstico etiológico ou teste alérgico por puntura (prick-test) e avaliação dos níveis de IgE alérgeno-específico;
  2. avaliação da cavidade nasal;
  3. avaliação por imagem e
  4. exames complementares.

O tratamento não medicamentos (não farmacológico) da rinite alérgica que tem como principal desencadeante os ácaros, é fazer a higiene ambiental. É importante lembrar que certos fatores não alérgicos podem agravar a rinite em alguns pacientes e em outros não, devendo ser destacada a fumaça de cigarro, poluição, variação climática, etc..

No tratamento farmacológico (medicamentoso) são os anti-histamínicos as principais substâncias usadas para o tratamento dos sintomas da rinite alérgica. Os anti-histamínicos são classificados em dois grupos: clássicos ou de primeira geração que podem apresentar também sonolência (sedação), e os não clássicos, de 2ª ou 3ª geração, que promovem menor sedação.

Os descongestionantes nasais são drogas pertencentes ao grupo dos estimulantes adrenérgicos cuja ação principal é vasoconstrição. Como efeitos indesejáveis podem provocar hipertensão, cefaleia, ansiedade, tremores e palpitações. De acordo com a via de aplicação, são divididos em dois grupos: oral (pseudoefedrina e fenilefrina) e tópico intranasal. Os descongestionantes tópicos nasais devem ser usados no máximo por até 5 dias. Sua utilização por período mais prolongado induz vasodilatação capilar (efeito rebote) podendo provocar rinite medicamentosa.

A princípio, o uso de corticosteroides sistêmicos não é indicado para o controle dos sintomas de rinite alérgica. Por outro lado o uso oral por períodos curtos de tempo (5 a 7 dias) pode ser apropriado no controle de sintomas nasais graves. Os corticosteroides intranasais constituem a classe de drogas mais efetivas para o controle dos quatro sintomas típicos de rinite alérgica (coriza, espirros, prurido e obstrução), podendo ser utilizados no tratamento de algumas apresentações de rinites não alérgicas (rinite eosinofílica não alérgica e vasomotora).

Outras medicações utilizadas no controle dos sintomas da rinite alérgica são: o cromiglicato dissódico com ação estabilizadora da membrana do mastócito que consequentemente impede a ação dos mediadores químicos liberados durante a reação alérgica; brometo de ipratropium com ação anticolinérgica nas fibras trigeminais secretomotoras que são estimuladas pelos mediadores químicos liberados pela desgranulação dos mastócitos; os anti-leucotrienos como o montelucaste atua principalmente no alívio dos sintomas da congestão e secreção nasal, quando comparado ao placebo.

Finalmente, a imunoterapia específica com alérgeno foi introduzida na prática médica para o tratamento de rinite alérgica e é recomendada em diretrizes nacionais e internacionais, como única terapêutica específica para as rinites alérgicas em crianças e adultos, com potencial curativo.

Com muita frequência os pacientes que sofrem de rinite alérgica abandonam seus tratamentos após curto período de tempo. Trata-se de doença crônica, cujos sintomas são de leve intensidade na maioria dos pacientes, sendo frequentemente subestimada por todos: médicos, pacientes e familiares. Entretanto, em suas formas moderadas a graves há deterioração significativa da qualidade de vida, podendo haver comprometimento do sono, da atenção, concentração e capacidade de aprendizagem, do desenvolvimento facial e torácico, o que pode ser desastroso ao paciente. O sucesso do tratamento de uma doença crônica depende essencialmente da adesão.