ALERGIA A PICADA DE INSETOS SUGADORES

As reações alérgicas por picada de insetos podem ser causadas por insetos sugadores (mosquitos, pulgas, carrapatos) e insetos picadores (abelhas, vespas, marimbondos e formigas). Ao picar ou ferroar, os insetos injetam o veneno responsável pela coceira e inchaço no local. Apesar de não ser grave o fato é que essas picadas incomodam. Coçar a região pode fazer o veneno espalhar-se e aumentar a coceira.

Os principais insetos sugadores são os pernilongos, borrachudos, mosquitos (palha ou birigui, mutucas, pólvora ou maruim ou mosquitinho do mangue) e pulgas. Estes insetos pousam na pele, picam, sugam o sangue e através da saliva deixam substâncias que podem provocar a sensibilização. A reação causada pelos insetos sugadores é denominada de estrófulo ou prurigo estrófulo ou urticária papular.

Os sintomas são o aparecimento de pequenas erupções elevadas (pápulas), avermelhadas e com coceira (prurido). Podem evoluir para pequenas bolhas com líquido (vesículas) e para formação de crostas, podendo ou não ter uma infecção secundária devido a coçadura. As lesões são mais comuns nas áreas expostas aos insetos principalmente braços e pernas. Em alguns casos, podem ser intensas e com muitas lesões, sem a necessidade de várias picadas.

O diagnóstico é clínico e tem como antecedente a informação de que houve piora após passeios no campo ou praia, visitas a familiares ou locais com a presença de animais (cachorros e/ou gatos) ou em épocas de mosquitos.

Os testes alérgicos com antígenos de insetos não são necessários na maioria das vezes, sendo restritos em casos específicos ou após repetição de várias crises de reação por picada de insetos.

Geralmente é uma alergia autolimitada e tende a desaparecer com a idade.

O tratamento deve abordar três fases:

  1. medidas para prevenir novas picadas, como calafetar o piso, dedetizar a casa, telas nas janelas, cortinados nas camas, eliminar plantas e depósitos de água parada, afastar animais ou mantê-los livres de pulgas, evitar fatores que atraem os insetos como perfumes, loções ou óleos perfumados, evitar roupas com cores vivas que atraem os insetos e usar repelentes de insetos;
  2. medicamentos sintomáticos como creme ou pomadas para as alergias de pele e se necessário, antialérgicos por via oral;
  3. imunoterapia ou vacinas alergênicas específicas com objetivo de diminuir a sensibilidade alérgica, controlando a doença e prevenindo suas complicações.

ALERGIA A PICADA DE HIMENÓPTEROS

Os insetos estão por toda parte e embora a maioria não seja perigosa, sua picada ou ferroada incomoda. As abelhas, vespas, aranhas, marimbondos ferroam pessoas quando se sentem ameaçados ou quando querem proteger seus ninhos. Os principais insetos picadores são as abelhas, vespas ou marimbondos e formigas, pertencem à ordem Himenóptera. São reconhecidas 15.000 espécies de formiga, 20.000 espécies de abelhas e 68.000 espécies de vespas ou marimbondos.

Estes insetos quando picam provocam dor, vermelhidão (eritema), calor, inchaço (edema) no local da picada em qualquer pessoa. Algumas pessoas podem ser picadas por himenópteros e sensibilizar, apresentando reações sucessivamente mais intensas em picadas posteriores. Somente pequena porcentagem das pessoas desencadeia reações graves às picadas.

O diagnóstico exato deve ser realizado por médico especialista através da análise clínica, identificação da espécie do inseto e dos testes alérgicos, que pode ser “in vitro” (sangue) e “in vivo” (pele do paciente). Os testes cutâneos de leitura imediata (teste de puntura ou prick test ou intradérmico) devem ser realizados com cuidados especiais devido ao risco de reações graves.

Picada por estes insetos himenópteros podem provocar reações tóxicas e neste caso sem mecanismo alérgico, pois resulta de picadas múltiplas e simultâneas, podendo levar uma pessoa à morte, pela ação direta da quantidade de veneno que é injetada no organismo.

As reações alérgicas podem ser locais e leves, provocando dor, vermelhidão e inchaço no local da picada. O organismo resolve espontaneamente ou com tratamento oral e/ou local e evolui sem sequelas.

Nas reações alérgicas do tipo anafilática aparece reação no local da picada e no corpo com placas avermelhadas (urticária), com intensa coceira (prurido), mal-estar, ansiedade, podendo ter ou não dificuldade para respirar, com sensação de fechamento na garganta. Nos casos mais graves falta de ar (dispneia), edema de glote, dor abdominal, enjoo, diarreia, incontinência urinária, queda da pressão arterial, desmaios e sensação de morte iminente com perda da consciência.

A reação aos venenos de insetos é muito rápida e por isso o paciente deve ser medicado prontamente. Como pessoas previamente sensibilizadas podem estar em locais distantes de grandes centros médicos ou sem recursos para o pronto atendimento, é recomendado que levem consigo material de emergência. A principal medicação é a adrenalina (epinefrina), pois é a única substância que atua rápido e pode evitar um choque anafilático. O material de emergência deve conter: adrenalina injetável (epinefrina 1:1.000), seringas descartáveis de 1 ml do tipo insulina ou alergia, algodão com álcool para assepsia. O médico pode orientar outros tipos de medicamentos como anti-histamínicos, corticoides, etc. Existe um tipo de adrenalina autoinjetável importada bem mais prático e que vem pronto para uso. Sempre procurar assistência médica em hospital de emergência.

No caso de reações leves o tratamento é mais simples. Se houver ferrão preso à pele, retire-o. Esta atitude impedirá que mais veneno seja liberado. Lavar a área com água e sabão, uma compressa fria pode reduzir a dor e o inchaço, analgésicos podem aliviar a dor das picadas e cremes tópicos podem aliviar a coceira. Tomar medicação específica para alergia.

O tratamento da sensibilidade ao veneno do himenóptero é feito com a imunoterapia específica com o veneno do inseto, tem indicação absoluta, em qualquer faixa etária, com história de reações sistêmicas graves associadas a sintomas respiratórios e/ou cardiovasculares e com testes diagnósticos positivos (testes cutâneos e/ou IgE sérica específica). Esta forma de tratamento somente deve ser prescrita a pacientes com quadros mediados por IgE. Na falta da imunoterapia específica 25 a 65% dos pacientes que apresentaram reação sistêmica terão outra reação se forem novamente picados.

Além disso, cuidados devem ser tomados para evitar a picada e prevenir a reação alérgica aos himenópteros:

  1. evitar roupa colorida e perfumes;
  2. evitar estender roupa ao ar livre;
  3. evitar comer ao ar livre ou mexer em fruta ou comida;
  4. evitar mexer em lixeiras;
  5. evitar a proximidade de colmeias;
  6. evitar o uso de perfumes ou ambientadores;
  7. em casa colocar telas de proteção nas portas e janelas;
  8. evitar atividades ao ar livre (jardinagem, cortar relva ou andar descalço na relva);
  9. não se aproximar de zonas arbustivas, árvores de fruto ou caixotes de lixo, colmeias ou ninho de vespa;
  10. evitar correr, montar a cavalo, andar em bicicleta em região de bosques e campos;
  11. manter-se vigilante em áreas com piscina;
  12. manter as janelas do automóvel fechadas quando em viagem;
  13. evitar movimentos bruscos quando uma abelha/vespa se aproxima.